Uma poltrona cor de rosa era o meu lugar favorito de leitura, quando adolescente.
Neste blog, minha nova poltrona cro de rosa, quero registrar textos que me tocaram, em dferentes fases da vida.

sábado, 27 de abril de 2013

Despedida - Valéria Pisauro


 

 

Ao sair, apague a luz,

Feche a porta

Devagar...

Na bagagem

Recolhe os sonhos,

Que não cabem

Nesse lar.

 

Jogue as chaves,

Destranque a vida,

Não tente me apagar.

Ao sair, arranhe a voz,

Rasgue os versos,

Sem divagar.

 

Palavras são punhais,

Secretas vêm,

Cálidas outrora,

Frágeis memórias,

E podem transbordar.

Siga sua vida,

Não tente me calar.

 

Ao sair, recolhe as sobras,

Retalhos de desamor,

Agonia de te esquecer,

Prá aliviar a minha dor.

 

Se resolver, um dia voltar,

Não estarei para te receber,

A solidão que tua ausência causou,

Levou-me embora

- Fui buscar, Você!

 

Ao sair apague a luz!

 
Valéria de Cássia Pisauro Lima

Membro Efetivo da ANLPPB

Eu e a Poesia... - Dilce Nery Toledo


Eu, ela e a lua,
As estrelas cintilantes,
Que nascem em mim...
Vem com a cumplicidade,
Em todos os momentos:
Traz em seu formato,
A essência do sonho;
O alimento da alma;
A luz da inspiração;
Apodera-se do meu sentido,
Transforma em emoção,
Os versos escritos vividos,
Entoados invadem o meu ser
Um cantar... A suave canção!


 


Dilce Toledo

Membro Efetivo da ANLPPB

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Imencidade - Aline Romariz


 

Navego em teu mar de concreto
-abstrata poesia-
Nas esquinas estrofes da paixão
Metáforas de cimento e cal
onde rabisco versos
no improviso da saudade
na tinta sangue de meu coração que arde
em tua *imencidade*
São Paulo que me faz pequena e forte
guerreira que nasce e morre todo dia
Mulher poema, cimento de rima vadia.

Aline Romariz

Membro Efetivo da ANLPPB

Presidente da ANLPPB e do Portal do Poeta Brasileiro

Retrato - Betina Marcondes


Retrato

O que guardo
Atrás da retina
Uma cortina
de sentimentos
do tempo
que escorreu
de mim se escondeu
No véu da memória
Instalou-se resquício de dor
de saudade e solidão
No portão, àquele portão
que já não é o mesmo
Apenas a foto
Um eu que grita
Incertezas, agonias
Porquês, vaidades
Quiçá almeja a lua
Perdida no horizonte
Que os olhos do retrato
Possa vir a observar.


Betina Marcondes
Membro Efetivo da ANLPPB

Acaso - Andrade Jorge


ACASO

Se num acaso qualquer
sem dia ou hora,
meus passos repisarem
o mesmo chão de outrora,
e a saudade vier
como brisa ciciar no ouvido
e acariciar o coração,
nessa hora
vou deixar essa doce recordação me embalar
na melodia que foi nossa um dia,
hoje nostalgia
no passo o compasso
descompasso talvez,
emoção que aflora
sentimento que flui,
mas que a distância reflui,
na dura realidade
o passado não volta,
o que passou, passou,
do que fui
pra você hoje nada sou.
Por isso se acaso lembrar-se de mim
e sentir meu semblante desvanecendo,
perdendo-se num nevoeiro qualquer,
faça como sempre
continue me esquecendo.

Andrade Jorge
Membro Efetivo ANLPP
cadeira 59

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A Cerca que me cerca - Maria Lamanna


A cerca que me cerca
Cerca a minha visão
Cerca e me deixa incerta
Se ao ultrapassar esta cerca
Terei uma visão mais concreta
Do outro lado da cerca
Desta cerca que me cerca !

Maria Alves. _ Maria Lamanna _Cad. 20 _ ANLPPB

Cancro - Ana Bailune


Eu acho

Que o nosso cancro

Vem da vida vazia

Que vamos levando,

Da mágoa calada

No peito guardada,

Qual faca afiada

Que vai nos cortando,

Daquela palavra

Que nós não dizemos,

Da raiva aumentada

Que vai sufocando.

O nosso cancro

Vem do desencanto

De amores frustrados

Que vamos vivendo,

Das ruas escuras

Da mente e da alma

Por onde, no ontem,

Vamos nos perdendo,

Da casa fechada,

Da falta de vento,

Da dor costurada

Que nós escondemos,

Da falsa alegria

Que vamos vendendo.

Eu acho

Que o nosso cancro

Vem daquelas contas

Que nós não devemos.
 
 
Ana Bailune

Cheiro de Mato - Bridon


Quietude

languidez

perfumes

aromas

cheiro de mato

de mata virgem

de floresta encantada

de bosques de sonhos

do frescor das águas cristalinas

das cachoeiras

que cortam as matas,

deslizam pelas pedras

e escorregam dentre elas.

Gotejam das folhagens

os pingos cristalinos

entre os raios do sol

como fontes de arco-íris

perpetuando-se,

escorrendo pelas mãos dos homens

que não conseguem compreender

a plenitude das belezas

daqueles que amam, sentem

e se lamentam

pela falsa hipocrisia

que parece plantada

nos que não conseguem ouvir

a bela canção

da mãe-natureza.



JC BRIDON

Membro Efetivo da ANLPPB


Do livro POETIZANDO – de Júlio César Bridon

Chuva - Rachel dos Santos Dias

Como é bom encostar o nariz na vidraça
e olhar a chuva que em enxurrada passa...
Escutar o soluço dela no telhado
e o capim brilhando desse pingo gelado...

Ver as casas de formas imprecisas, cinzentas,
sob o efeito das gotas céleres ou lentas...
E o muro cheio de limo, quieto, misterioso,
molhado, velho e eternamente ocioso...

É bom brincar com a goteira da calha
que escorre fria e no chão se espalha...
E a água a escorrer no lamaçal da estrada...

Chuva! Chuva miúda, sonora, constante,
a molhar tudo, a molhar o passante
que apressado busca calor! Ah! Chuva molhada!




Rachel dos Santos Dias

Membro Efetivo da ANLPPB

Vice-versa - Mario Benedetti

O texto de hoje é do poeta uruguaio Mario Benedetti (1920 - 2009), retirado do livro O amor, as mulheres e a vida - Antologia de poemas de amor, Verus Editora.



Tenho medo de te ver
necessidade de te ver
esperança de te ver
desgosto de te ver

tenho vontade de te encontrar
medo de te encontrar
certeza de te encontrar
pobres dúvidas de te encontrar

tenho urgência de te ouvir
alegria de te ouvir
boa estrela de te ouvir
e temores de te ouvir

ou seja
resumindo
estou ferrado
                         e radiante
talvez mais o primeiro
que o segundo
e também
                         vice-versa.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O Sabonete (Dalva Saudo)



Hoje quero homenagear a poetisa Dalva Saudo, Membro efetivo da ANLPPB (Academia Nacional de Letras do Portal do Poeta Brasileiro) - Cadeira 13



O SABONETE
Dalva Saudo

 

Nua e livre 

Em círculos ou segmentos de retas 

O sabonete massageia seu corpo.

 

Sua mente poética desliza...

Em viagens fantasiosas e eróticas

Em versos dedicados 

Ao remetente do perfumado presente.

 

Seu corpo recebe o aroma

E na suavidade da espuma...

Transforma-se num céu de brancas nuvens!

 

Sente o deleite que a espuma adentra em seus poros

Tornando suaves as partes bio, psíquica e filosófica...

Que se entrelaçam em devaneios.

 

Compenetra no replay natalino do Amigo Secreto

Desvendado em seu atrevido corpo despido

 

No percurso das curvas das linhas

Nas estações Amor e Amizade

O sabonete a faz refletir aquela ocasião 

Que marcou seu coração.

 

sábado, 20 de abril de 2013

Eduardo Gianetti em Auto-engano


"No consumo e fruição da arte - e da ficção narrativa em particular - , ingressamos no que pode ser visto como uma espécie de espaço sagrado e horário nobre do sonhar acordado. "Um romance, reflete Stendhal, " é como um arco, e a alma do leitor é como o corpo do violino que emite o som. " a boa obra de ficção narrativa é aquela que sonha um sonho por nós."


Do livro auto-engano, de Eduardo Gianettti, Editora Companhia de Bolso, 2005 - pág. 45

sexta-feira, 19 de abril de 2013

de Paulo Leminski

parem
eu confesso
sou poeta

cada manhã que nasce
me nasce
uma rosa na face

parem
eu confesso
sou poeta

só meu amor é meu deus

eu sou o seu profeta

Motivo - Cecília Meireles

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. e a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.