Uma poltrona cor de rosa era o meu lugar favorito de leitura, quando adolescente.
Neste blog, minha nova poltrona cro de rosa, quero registrar textos que me tocaram, em dferentes fases da vida.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Pedaços de Mim - Geraldo Aguiar


PEDAÇOS DE MIM

Algum pedaço de mim
Voou ao vento
Outro pedaço de mim
Eu corro atrás
Estou esquecido agora
Poetizando, poetizando
Fazendo rimas demais
Rimas irmãs
Rimas pares
Rimas primas
Rimas pobres e ricas
Parentes indivisíveis
Que acalentam os meus "ais"

Algum pedaço de mim
Já foi embora
Outro pedaço de mim
Comigo vai
Minha cabeça pensante
Não me alcançará jamais
Eu que não fui...
Eu que não sou...
Eu que não serei capaz...

Estou meio perdido agora
Fazendo rimas demais
Rimas irmãs
Rimas pares
Rimas primas
Rimas pobres e ricas
Parentes indivisíveis
Que acalentam os meus "ais".

Geraldo Aguiar

domingo, 8 de setembro de 2013

Fernando Pessoa em Poemas de Alberto Caeiro


O Guardador de Rebanhos

XLVIII

 
Da mais alta janela da minha casa

Com um lenço branco digo adeus

Aos meus versos que partem para a Humanidade.

 

E não estou alegre nem triste.

Esse é o destino dos versos.

Escrevi-os e devo mostrá-los a todos

Porque não posso fazer o contrário

Como a flor não pode esconder a cor,

Nem o rio esconder que corre,

Nem a árvore esconder que dá fruto.

 

Ei-los que vão já longe como que na diligência

E eu sem querer sinto pena

Como uma dor no corpo.

 

Quem sabe quem os lerá?

Quem sabe a que mãos irão?

 

Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.

Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.

Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.

Submeto-me e sinto-me quase alegre,

Quase alegre como quem se cansa de estar triste.

 

Ide, ide de mim!

Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.

Murcha a flor e o seu pó dura sempre.

Corre o rio e entra no mar e a sua água é se,pré a que foi sua.

 

Passo e fico, como o Universo.

 

sábado, 7 de setembro de 2013

Desejos - Alice Alba


Chuva fina que cai
Gota a gota me refaz
E do frio calor se faz
Mal sabe meu em o que tem
E tanto bem que me faz!

Suas trêmulas mãos dizem mais
Só de olhar - me trai
Como a vontade que se assemelha
À paisagem que me apraz
Entre olhares e beijos - minha paz.

Tão belo, gigante, num rompante
Me aguça os sentidos - uma vez mais
Suave tecido no corpo vestido
Em busca de abrigo perdido
No tempo - o segredo do riso.

Fogo em que se compraz
Em achar um certo equilíbrio
No beijo, perfeito, preciso
Mal sabe meu bem o que tem s ido
E tanto bem que me faz!
(Alice Alba)