Uma poltrona cor de rosa era o meu lugar favorito de leitura, quando adolescente.
Neste blog, minha nova poltrona cro de rosa, quero registrar textos que me tocaram, em dferentes fases da vida.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Ana Carolina Marques


Mecanização

Homens- robôs
Ou robôs- homens?
Qual a diferença?
Nenhuma...
Homens e robôs
Reflexos do mesmo espelho
O que um faz
O outro também faz
São dois robôs
Com a mesma dinâmica
De funcionamento
E daqui um tempo
As crianças das futuras gerações
Nascerão com manual de instrução.

Ana Carolina Marques

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Ana Stoppa


Água do Teu Mar

Conte amor mais uma mentira
Diz que sou razão de tua vida
Diga que jamais me esqueceu
Que não existiu o triste adeus

Mostre que sou o teu encanto
Beije minha boca com ternura
Diz que veio enxugar o pranto
Anuncie o fim desta amargura

Conte amor mais uma mentira
Diga que sou razão da tua vida
A luz da estrada ontem perdida
O bálsamo de tua alma dolorida

Vem depressa amor me amar
Cesse a angústia de meu olhar
Temos pouco tempo para sonhar
Preciso ser a água do teu mar.


Ana Stoppa



Alma de Poeta

Pobre alma distraída esqueceu a porta aberta
Emoções inesperadas invadiram-lhe as frestas
Sentiu a vida pulsar de uma forma indescritível
Experimentou sensações, voou como colibris.

Despertou da letargia, experimentou a alegria
Sorriu feliz para a lua, cirandou com as estrelas
Coloriu a tal saudade com os tons da amizade
Deu vida aos desejos, pulou as ondas do mar

Aprendeu a conjugar os tempos do verbo amar
Dançou a valsa de Strauss esqueceu-se da tristeza
Descobriu a vida bela e em versos a quis mostrar
Rabiscou as emoções, teceu histórias e poemas.

Hoje passeia feliz, mãos entrelaçadas com a paz
Ainda que surja a dor , ainda que o pranto role
Quando vem a inspiração entrega-se por inteiro
Prova em cada verso o sabor do amor primeiro.

Ana Stoppa.

sábado, 29 de novembro de 2014

Aline Romariz


Poemas de Aline Romariz

 
 
Do mesmo verso
Sobrou tão pouco
ou nada restou
Ficaram palavras
Soltas no tempo
perdidas entre fusos
Difuso tormento
Não rimamos alegria
Perdemos a poesia
E o mesmo verso acabou
Perdeu o sentido
Ficou marcado
em folha rabisco
e com o tempo
AMARELOU.

Aline Romariz
 
Na folha branca onde guarda
pensamentos (in)decentes
marca o vate (des)pudoradamente
Sua alma nua.

Aline Romariz




Ah! Meu amor!
Não vês? Acabou.
Restaram cinzas, talvez,
Nem sei.
Não te olho mais
Com olhos cegos
Não mais compreendo
Teus tédios
Tu não és mais
Meu primeiro pensamento
Nem o motivo de minha alegria
Acabou a poesia
Foi-se o momento.

Aline Romariz
 
 
IMENCIDADE

Navego em teu mar de concreto
-abstrata poesia-
Nas esquinas estrofes da paixão
Metáforas de cimento e cal
onde rabisco versos
no improviso da saudade
na tinta sangue de meu coração que arde
em tua *imencidade*
São Paulo que me faz pequena e forte
guerreira que nasce e morre todo dia
Mulher poema, cimento de rima vadia.

Aline Romariz
 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Natal do Bem - Portal do Poeta Brasileiro e Editora Iluminatta

 

O Portal do Poeta Brasileiro e a Editora Iluminatta estão organizando um Mutirão de Esperança para beneficiar 100 famílias neste Natal.

 

Participe! saiba como escrevendo para editorailuminatta@gmail.com

 
 
 
 
 
 
 
 


domingo, 16 de novembro de 2014

Alice Alba

 
 




DESEJOS


(Alice Alba)

 


Chuva fina que cai
Gota a gota me refaz
E do frio calor se faz
Mal sabe meu em o que tem
E tanto bem que me faz!

Suas trêmulas mãos dizem mais
Só de olhar - me trai
Como a vontade que se assemelha
À paisagem que me apraz
Entre olhares e beijos - minha paz.

Tão belo, gigante, num rompante
Me aguça os sentidos - uma vez mais
Suave tecido no corpo vestido
Em busca de abrigo perdido
No tempo - o segredo do riso.

Fogo em que se compraz
Em achar um certo equilíbrio
No beijo, perfeito, preciso
Mal sabe meu bem o que tem sido
E tanto bem que me faz!
 
 

domingo, 9 de novembro de 2014

Andrade Jorge



Alma e Poesia


Da alma o poeta retira a essência
que aquece, embevece,
a mão do artista ordenada, obedece
e rabisca a emoção que contagia,
afinal está expondo a alma em poesia.


Andrade Jorge
 
 
 

CINZAS


Pioneiro desbravador dessa imensidão,
Flutuo nas veredas dos sentidos
Descobrindo a nascente da emoção,
Queimo o presente no cigarro que fumei,
Jogando as cinzas sobre a amante solidão.

Ouço vozes, ecos perdidos do passado,
Ando na noite, ando no dia,
Sinto a aflição, escuto a vã filosofia
Do ser atormentado, condenado,
Observo um anjo fingindo, fugindo,
Peso o peso dos pecados feitos a esmo,
E dos grilhões que vão aprisionar,
Porque ninguém foge de si mesmo.

Busco, procuro o futuro
No horizonte dessa imensidão,
A dor do tempo já espalhei
Feito as cinzas do cigarro
Que solitariamente fumei,
queimando a solidão,
Fruto amargo desse chão.

Serei cinza amanhã,
Hoje não...




ANDRADE JORGE
Membro Efetivo da Academia Nacional de Letras do Portal do Poeta Brasileiro

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Homenageado: José Luiz Pires

 
 
 
 
 
 
 
Sessão de autógrafos:  "O Semeador  de  Palavras"  
                  Feira  do  Livro  de  Porto  Alegre            
14/11/2014 às 16 h no Memorial do Rio Grande do Sul
Rua Sete de Setembro, 1020   Praça da Alfândega    
       Centro Histórico – Porto Alegre – RS                   
 
 
 


domingo, 12 de outubro de 2014


Liquidez Poética

Adriane Lima



e no final de um dia
pleno de cores
o sol adormece mansamente

olho através da janela
o horizonte ao longe
vejo uma realidade urgente

a noite e seus silêncios
sempre me acalanta
mas amaldiçoa -me
o tempo perdido

há cansaço no ar e nos ossos
eternizando esse desejo

entre a vida e a morte

esgotada de mim mesma
sigo sozinha minha intuição

imagino o chão da sala
vertido em um denso vermelho
tinto...retinto...
solto...do avesso

não é apenas um verso
além do desejo de desaparecer
sem ver nascer o outro dia


 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014




UM TESOURO CHAMADO LIVRO

PROJETO DE INCENTIVO À LEITURA DO PORTAL DO POETA BRASILEIRO

 

JUNTE-SE A NÓS!

 

No dia 30 de cada mês, os poetas do Portal do Poeta Brasileiro – e são cerca de 5000 espalhados pelo Brasil – “esquecem” um livro em algum local público. Dentro do livro um bilhete, explicando o que é o projeto, e solicitando que, ao terminar de ler, quem o encontrou também o “esqueça”, para que outros possam desfrutar da leitura.

 

Se você quiser juntar-se a nós, neste projeto de incentivo à leitura, aqui vai um modelo de bilhete para colar no livro esquecido:

 

Você encontrou um TESOURO CHAMADO LIVRO. Parabéns!!

Sugerimos a leitura deste livro e que ao término de sua viagem pelas letras, deixe o livro em outro lugar público para que outras pessoas tenham o privilégio de encontrar o TESOURO. 

Entre em contato conosco:



PORTAL DO POETA BRASILEIRO

 PROJETO DE INCENTIVO A LEITURA

AJUDANDO O BRASIL A LER!

 


domingo, 20 de julho de 2014

Bilhetes de Escritor 2












Bilhetes de Escritor

Os poetas do Portal do Poeta Brasileiro e da Academia Nacional de Letras do Portal do Poeta Brasileiro, em comemoração ao Dia do Escritor, 25 de julho, estão deixando nas redes sociais Bilhetes de Escritor.

Aos poucos postarei estes bilhetes aqui no blog.



 
 

sábado, 28 de junho de 2014

 

Li com grande prazer e encantamento o livro A Palavra Reflexa, de Marilene Teubner.

No perfil do livro, a autora nos diz: “Não me importo de fazer parte do ridículo. Os versos seguem no cotidiano de nós mesmos. A alma é livre. O sonho é alado.” 

E sua alma livre, seu coração de poeta nos brindam com palavras que nos levam a refletir em tudo aquilo que nos cerca em nosso cotidiano.

Deixo aqui alguns trechos, para alimentar sua alma e aguçar a sua curiosidade.

 

 

 

 

A palavra tem o poder de transformar,

de abrir e fechar caminhos indicando o certo

e o errado, provocando reflexões ou silêncio.

 

Ela induz, seduz, resgatando pessoas do vazio.

 

♥♥♥

 

A harmonia das letras se assenta no papel

quando a janela do escritor se abre e

o filme dos fatos já não cabe mais no isolamento.

A vida se transforma e o cotidiano ganha nova dimensão.

O olhar do escritos fotografa os fatos,

e o sentimento guia sua mão.

 

♥♥♥

 

Ausência

 

Às vezes me afundo no vazio em busca da palavra que se esconde, voo sobre o nada, e me perco no vácuo...

 

♥♥♥

 

Entardecer

 

O sol se deita no mar alumiando...

e suas ondas desenham a paz

Em perfeita harmonia sobre a areia.

domingo, 11 de maio de 2014

Entrepalavras - Lin Quintino





Entre tantos belos poemas da talentosa poeta Lin Quintino, escolhi dois para colocar no blog.

 

Lembranças

 

Minhas lembranças

só cabem onde

minha memória transborda,

onde os sonhos e as angústias

são larguras sem bordas.

Na espessura

do que sempre me

contorna,

vou me escondendo.

Num mesmo emaranhado

de incertezas,

onde misturo tudo

que penso e sinto

sou uma estranha

que aos poucos

cai tecendo a vida

em lenta e constante mutação.

 

 

Meu Espaço

 

Não quero ser uma pessoa comum

Fazendo igual ao que todo mundo faz

Seguindo por um caminho já trilhado.

Quero deixar minhas próprias marcas

Pisar em solo virgem,

Abrir meu espaço

Quero tocar a vida e moldá-la

Com minhas mãos

Ter sonhos grandiosos

Descarto a ideia de ser cabresto

De aceitar e calar

Quero questionar

Quero escrever minha história

Quero ser poeta

Ser companheira das palavras

Pois elas são mensageiras

Dos meus sonhos.

 
Do livro Entrepalavras, de Lin Quintino - Editora Iluminatta

sábado, 3 de maio de 2014

Isto é Felicidade - Mário Feijó




Tive a honra de prefaciar o livro de Mário Feijó, Isto é Felicidade. Convido-os a lerem este excelente livro.



Prefácio

 

Li Isto é Felicidade de um só fôlego e fiquei encantada. Então reli, e continuei encantada. Por isso quero convidar você, leitor, a acompanhar-me nesta experiência.

Isto é Felicidade é muito mais que um livro. É um bilhete de viagem. Porque através dele viajamos pelo mundo interior de Mário Feijó. Ele derrama sua alma no papel. E, generosamente, nos acompanhá-lo nesta trajetória de vida. Ficamos conhecendo o menino, o adolescente, o adulto, o homem maduro, suas alegrias, tristezas, sofrimentos, a superação e o aprendizado de uma vida.

Cito textualmente suas palavras: “Escrevo por escrever, pois penso que me faltam técnicas, mas o faço com o coração. Críticos não querem saber de coração, querem saber de técnica e me faltam muitos compêndios para ter o mínimo de técnica.” (Incompetência em viver o hoje)

E porque ele escreve com o coração, nós, leitores, aqui encontramos sinceridade, veracidade, autenticidade, emoção real e viva, e é disso que gostamos. Tenho plena certeza de que Mário escreve por amor. Por amor à escrita, por amor aos filhos, netos, por amor de um modo geral, por amor à vida.

Gostei muito da viagem que fiz ao mundo de Mário Feijó.

“Isto é Felicidade” é um texto que adorei, e que fez lembrar-me de minha avó materna.

“O sol do quintal da tia Lourdes” até provocou-me inveja. Um belo texto de memórias da infância. Coisas que se deve mesmo registrar, para jamais esquecer.

“Quando nasce uma mulher” é uma linda homenagem às mulheres, e um texto poético que muito me agradou. Mas, esta criança interior, que algumas mulheres matam dentro delas, persiste também em muitos homens, como acho que é o caso do autor. Aliás, isto está explícito em “Peixinhos Azuis”.

“Valha-nos Santa Maria” é um texto comovente, de quem já passou pela dor da perda de um filho; e ao mesmo tempo é lúcido ao analisar a exploração midiática das tragédias e ao nos exortar a orar pelas vítimas.

A recusa ao rótulo de velho, em “Você é um vencedor”, tem todo o meu apoio. E todos os sessentões e sessentonas vão gostar de ler este texto.

Sonho lindo de um coração generoso, em “Venha e se aqueça”. Sua abordagem da desigualdade lembrou-me o genial George Orwell em A Revolução dos Bichos: “todos os bichos são iguais, porém uns são mais iguais que os outros”.

Pura poesia o texto “Teus segredos”. Só posso dizer, parabéns!

Quero terminar dizendo que gostei do que aprendi com esta leitura, pois nestes textos o autor nos passa sabedoria de vida, em Pílulas, não só de felicidade, mas de dor e amadurecimento. E, apesar dos pesares, persiste insistindo e perseverando na busca da felicidade. Que encontrou quando aprendeu que ela só depende de nós, de a construirmos em nosso íntimo. E que, querer encontrá-la na dependência alheia, é colocar uma carga muito pesada nos ombros do outro. Seu texto “Balanço da vida” é um primor.

Espero, leitor, que, como eu, você se emocione, se divirta e se encante com este livro.

 

Lu Narbot

 Para adquirir o livro, contato com o autor: mrfeijo@gmail.com
 

 

 

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Poemas de Stella de Sanctis






Por trás das palavras

 

Onde moinhos tecem ventos

Um verbo esquadra verdades

Veladas à luz da luz.

 

Sob a perspectiva das estrelas

A divinizada centelha

Lavra um jardim andaluz.

 

Na chuva que alaga a trilha,

Faz do silêncio a milha,

Por trás da palavra o tombadilho.

 

Tece a malha d’um tempo congelado,

Borda segredos no avesso,

Lateja o princípio apaixonado,

 

Ofuscado nos olhos de dilúvio.

(do livro Ecos do Sempre) 
 


 

 


Intervalos

 


Certas palavras têm seu intervalo,

Seu silêncio... Revestem-se de hipérboles,

Abraçam os ares como ondas seculares

E depois voltam para o mar imenso,

Em nós, raízes revisitadas

Dos sentires e sentidos...

Até caírem sobre nossas mãos,

Pesadas de tudo.

 

(Do livro Jogo de Extremos)