Uma poltrona cor de rosa era o meu lugar favorito de leitura, quando adolescente.
Neste blog, minha nova poltrona cro de rosa, quero registrar textos que me tocaram, em dferentes fases da vida.

domingo, 11 de maio de 2014

Entrepalavras - Lin Quintino





Entre tantos belos poemas da talentosa poeta Lin Quintino, escolhi dois para colocar no blog.

 

Lembranças

 

Minhas lembranças

só cabem onde

minha memória transborda,

onde os sonhos e as angústias

são larguras sem bordas.

Na espessura

do que sempre me

contorna,

vou me escondendo.

Num mesmo emaranhado

de incertezas,

onde misturo tudo

que penso e sinto

sou uma estranha

que aos poucos

cai tecendo a vida

em lenta e constante mutação.

 

 

Meu Espaço

 

Não quero ser uma pessoa comum

Fazendo igual ao que todo mundo faz

Seguindo por um caminho já trilhado.

Quero deixar minhas próprias marcas

Pisar em solo virgem,

Abrir meu espaço

Quero tocar a vida e moldá-la

Com minhas mãos

Ter sonhos grandiosos

Descarto a ideia de ser cabresto

De aceitar e calar

Quero questionar

Quero escrever minha história

Quero ser poeta

Ser companheira das palavras

Pois elas são mensageiras

Dos meus sonhos.

 
Do livro Entrepalavras, de Lin Quintino - Editora Iluminatta

sábado, 3 de maio de 2014

Isto é Felicidade - Mário Feijó




Tive a honra de prefaciar o livro de Mário Feijó, Isto é Felicidade. Convido-os a lerem este excelente livro.



Prefácio

 

Li Isto é Felicidade de um só fôlego e fiquei encantada. Então reli, e continuei encantada. Por isso quero convidar você, leitor, a acompanhar-me nesta experiência.

Isto é Felicidade é muito mais que um livro. É um bilhete de viagem. Porque através dele viajamos pelo mundo interior de Mário Feijó. Ele derrama sua alma no papel. E, generosamente, nos acompanhá-lo nesta trajetória de vida. Ficamos conhecendo o menino, o adolescente, o adulto, o homem maduro, suas alegrias, tristezas, sofrimentos, a superação e o aprendizado de uma vida.

Cito textualmente suas palavras: “Escrevo por escrever, pois penso que me faltam técnicas, mas o faço com o coração. Críticos não querem saber de coração, querem saber de técnica e me faltam muitos compêndios para ter o mínimo de técnica.” (Incompetência em viver o hoje)

E porque ele escreve com o coração, nós, leitores, aqui encontramos sinceridade, veracidade, autenticidade, emoção real e viva, e é disso que gostamos. Tenho plena certeza de que Mário escreve por amor. Por amor à escrita, por amor aos filhos, netos, por amor de um modo geral, por amor à vida.

Gostei muito da viagem que fiz ao mundo de Mário Feijó.

“Isto é Felicidade” é um texto que adorei, e que fez lembrar-me de minha avó materna.

“O sol do quintal da tia Lourdes” até provocou-me inveja. Um belo texto de memórias da infância. Coisas que se deve mesmo registrar, para jamais esquecer.

“Quando nasce uma mulher” é uma linda homenagem às mulheres, e um texto poético que muito me agradou. Mas, esta criança interior, que algumas mulheres matam dentro delas, persiste também em muitos homens, como acho que é o caso do autor. Aliás, isto está explícito em “Peixinhos Azuis”.

“Valha-nos Santa Maria” é um texto comovente, de quem já passou pela dor da perda de um filho; e ao mesmo tempo é lúcido ao analisar a exploração midiática das tragédias e ao nos exortar a orar pelas vítimas.

A recusa ao rótulo de velho, em “Você é um vencedor”, tem todo o meu apoio. E todos os sessentões e sessentonas vão gostar de ler este texto.

Sonho lindo de um coração generoso, em “Venha e se aqueça”. Sua abordagem da desigualdade lembrou-me o genial George Orwell em A Revolução dos Bichos: “todos os bichos são iguais, porém uns são mais iguais que os outros”.

Pura poesia o texto “Teus segredos”. Só posso dizer, parabéns!

Quero terminar dizendo que gostei do que aprendi com esta leitura, pois nestes textos o autor nos passa sabedoria de vida, em Pílulas, não só de felicidade, mas de dor e amadurecimento. E, apesar dos pesares, persiste insistindo e perseverando na busca da felicidade. Que encontrou quando aprendeu que ela só depende de nós, de a construirmos em nosso íntimo. E que, querer encontrá-la na dependência alheia, é colocar uma carga muito pesada nos ombros do outro. Seu texto “Balanço da vida” é um primor.

Espero, leitor, que, como eu, você se emocione, se divirta e se encante com este livro.

 

Lu Narbot

 Para adquirir o livro, contato com o autor: mrfeijo@gmail.com