Uma poltrona cor de rosa era o meu lugar favorito de leitura, quando adolescente.
Neste blog, minha nova poltrona cro de rosa, quero registrar textos que me tocaram, em dferentes fases da vida.

domingo, 19 de abril de 2015

O Código das Sementes - Stella de Sanctis









Estive ontem no lançamento do novo livro de Stella de Sanctis, O Código das Sementes, e deixo aqui, além de trechos do Prefácio e dos Comentários, alguns poemas deste livro encantador.

 

 

“A Poesia de Stella de Sanctis encantou-me desde o primeiro contato, há alguns anos. Um encanto que vai além da riqueza do vocabulário, da infinita beleza das metáforas, da perfeição na construção dos poemas. Encanto que se completa pela poesia densa, plena de significados, de onde brotam e se multiplicam todos os sentimentos que o ser humano é capaz de vivenciar. Ao penetrar no âmago de nossas almas, os poemas de Stella auxiliam-nos a desenovelar os fios condutores de nossos próprios sentimentos e a encontrar nosso caminho nesse labirinto que é a existência.

 

Venham comigo, encantar-se e comover-se nessa viagem maravilhosa e inesquecível!”

 

Lu Narbot

 

 

“Ao ler esta obra tão grandiosa e sensível, não há como não buscar em nós mesmos as mais sublimes emoções, aquelas que não transparecem facilmente, mas que nos tornam aquilo que verdadeiramente somos. Os versos trazem uma intimidade revelada que durante a leitura vamos saboreando como se fosse a leve mordida na maçã, aquela que representa as ambiguidades do ser humano entre o desejo e a paixão.”

 

Hellen Moretti Alvez

 

 

Voo (II)

(Stella de Sanctis)

Poema é abordagem,
Pássaro com mensagem,
Entrevista com o inusitado,
Em alegorias etéreas.

Salta de entulhos, da pequenez,
Da ternura, da avidez,
De tudo que porta a veia inquieta.

É o sangue da alma, feito semente
Que nasce do silêncio
E transpõe as raízes das horas
No muro do tempo.

Poema é passagem para além da retórica: 
Voo sonoro e ritmado
Que ultrapassa as linhas do verso.

 

 

 

Passagem

(Stella de Sanctis)

 

Vai-se a pena a sangrar nãos

E o agora chora arestas e motivos?

... Sírio da benção, auréola do ar,

Um arco íris atraca na orla d'olhar.

 

O verso emerge denso e afoito,

Funde o gelo nas dobras do peito.

Como tudo que hiberna e sazona,

O inverno é passageiro.

 

Nas curvas do pensamento faço a milha,

No adro do silêncio, o fermento.

Nenhum voo é obsoleto nas asas do livramento.

Nada é tão exato quanto a luz que brilha.